1º Workshop de Energia Solar Brasil-Noruega

Workshop de Energia Solar

Visando possibilitar a geração distribuída e a digitalização da rede

Por Marisa De Lucia

No último mês de novembro, o 1º Workshop de Energia Solar Brasil-Noruega reuniu pesquisadores e tomadores de decisões sobre o uso de energia solar no Brasil e na Noruega, incluindo tecnologia de materiais e sistemas de energia solar.

Workshop

Com o acordo assinado pela FAPESP e o Conselho de Pesquisa da Noruega (RCN), a colaboração entre pesquisadores brasileiros e noruegueses deve impulsionar novas ações e estratégias em energia solar nos dois países.

Segundo Rune Andersen, conselheiro para Ciência e Tecnologia do RCN, a Noruega dispõe de dois tipos de financiamento de pesquisa em energia, os programas INPART e UTFORSK. Ambos não têm restrição para apoiar participações internacionais, inclusive de brasileiros. “No ano passado, foram financiados € 9 milhões em pesquisa energética”, disse ele.

Enio Pereira
Enio Pereira, do Inpe.

Enio Pereira, coordenador do Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), observou que a energia solar até há pouco tempo era considerada coisa do futuro, só que o futuro chegou, mas o Brasil está atrasado em relação aos outros países. "Temos um potencial enorme, principalmente no chamado cinturão solar, região que vai do Nordeste até o Sudoeste do país, pegando, sobretudo, Bahia e Minas Gerais e inclusive São Paulo”.

Pereira afirma que, embora o investimento em energia solar ainda seja pequeno no Brasil, a fonte renovável está crescendo rapidamente na matriz energética brasileira. De acordo com dados apresentados em sua palestra, o incremento da energia solar no Brasil foi superior a 300% nos últimos dois anos. É, portanto, a energia cujo uso mais cresce, embora ocupe apenas 0,02% da matriz energética do país.

Neste primeiro workshop, um dos exemplos mencionados foi a parceria da petrolífera norueguesa Statoil com a também norueguesa Scatec Solar, que estão construindo uma planta de energia solar no Rio Grande do Norte, com capacidade de 162 megawatts.

Fernando Pinhabel Marafão
Fernando Pinhabel Marafão, da Unesp.

Segundo Fernando Pinhabel Marafão, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Sorocaba, o Brasil ainda não está preparado para o uso massivo de energia fotovoltaica, mas muito se tem avançado em estudos nesse campo.

“Precisamos automatizar, substituir equipamentos, medidores, sensores, religadores. Para que a geração distribuída funcione efetivamente será preciso toda uma revisão do setor elétrico”, disse Marafão, que coordena um projeto de pesquisa sobre smart grids em parceria com a Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia desde junho deste ano.

Morten Dæhlen
Morten Dæhlen, da Faculdade de Oslo.

Morten Dæhlen, decano da Faculdade de Matemática e Ciências Naturais da Universidade de Oslo, observou: “Na Noruega, estamos crescendo em microgeração por energia solar. Como a radiação não é alta, é muito melhor construir grandes plantas como a que a Statoil está fazendo no Rio Grande do Norte. Somos uma nação focada na produção de energia e estamos desenvolvendo pesquisa em outra área de energia”.

Para Dæhlen, só com a digitalização da energia impulsionada pela energia solar e pelos smart grids será possível atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (das Nações Unidas) de número 7, sobre energia limpa e acessível.

“Temos muitos desafios. Apenas um dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável se refere diretamente à energia. Mas todos os outros precisam de energia para serem atingidos”, concluiu Dæhlen.

Foto: Felipe Maeda / Agência FAPESP